Uma orquestra em ritmo de SKA

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Sérgio Soffiatti é um musico inquieto. Nos anos 90, ele ficou famoso a frente de grupos como Sr. Banana e Skuba, que surfaram alto na onda do Ska, que inundava as rádios brasileiras naquela época. Musicas como “Não existe mulher feia”, se transformaram em presença obrigatória em qualquer festa. Mas o tempo passou, as bandas se foram e o ritmo animado e frenético, praticamente ficou no ostracismo. Mas esse silêncio aos poucos vem sendo quebrado. Um projeto do musico tem colocado muita gente para dançar no ritmo do Ska. Trata-se da Orquestra Brasileira de Musica Jamaicana, uma “big band” formada porSoffiatti ao lado do trompetista Felippe Pipeta.  Ao todo, são dez músicos que se reúnem para tocar um ska jamaicano de raiz, como eles mesmos definem. Um som inspirado nos anos 60 e 70, com muita influência de jazz e marcado pelos constantes improvisos dos músicos. Mas o grande diferencial da OBMJ está em seu repertório, basicamente formado por clássicos da Bossa Nova e da MPB. Assim é possível dançar ao som de “Garota de Ipanema”, “Guarani”, “Aguás de março”, entre outras. A irresistível versão de “Carinhoso”, de Pixinguinha, com certeza vale uma visita ao MySpace da banda. Com shows lotados em casas do Rio de Janeiro e São Paulo, a Orquestra agora se prepara para lançar seu primeiro disco “físico”, com 13 faixas. Em uma descontraída entrevista ao Blog, Sérgio fala de como pretende resgatar o Ska e colocar o ritmo de volta no lugar que nunca deveria ter saído: as pistas de dança.

 

Blog do Edu: Como nasceu a Orquestra Brasileira de Musica Jamaicana?

Desde que eu tocava com o pessoal do Skuba, eu tinha a vontade de ter uma ‘big band’ de ska, que tocasse musica jamaicana de raiz. Foi nessa época, em 1998, que conheci o ( Felipe) Pipeta, que tocava com o grupo Sapo Banjo. Sempre conversávamos sobre essa idéia e em 2003, iniciamos realmente esse projeto.

 

Esse projeto já nasceu com a idéia de fazer versões de clássicos da MPB?

Sim. Em 2003, já nos primeiros ensaios tivemos a idéia de fazer versões de canções brasileiras conhecidas e o resultado começou a ficar bem interessante. É um repertório exclusivo para homenagear nossa música. Daí também nasceu da banda, que já é auto-explicativo. Uma brincadeira que diz tudo.

 

A OBMJ é independente?

Sim. Temos algumas músicas gravadas. Um EP digital para baixar de graça. Agora estamos prestes a lançar um disco físico, independente, com 13 musicas.

 

E o repertório desse disco irá se concentrar nas versões ou também terá faixas próprias?

A maior parte será de versões, que achamos algo muito bacana. Mas teremos também três composições próprias.

 

Vocês pretendem ter mais composições próprias no futuro?

Na verdade, não temos grandes intenções autorais. Eu também estou trabalhando em outro projeto solo, com composições, em ska rocksteady e reggae, na linha ska romântico, cantando em inglês. Já a OBMJ tem o único compromisso de fazer dançar. Somos  essencialmente uma banda de baile alternativa, que se preocupa com o resgate da boa musica, seja brasileira, jamaicana ou de qualquer outro lugar.

 

Vocês fazem um ska bem ao estilo dos anos 70, privilegiando os metais, algo diferente do que era feito no Brasil. Como o público tem recebido esse som?

Melhor impossível. Estamos muito animados para 2010, com uma série de shows marcados em São Paulo, Rio de Janeiro. Fizemos recentemente um show só nosso no Circo Voador, e foi espetacular.

 

Então hoje há mais mercado no Brasil para esse estilo?

Na verdade não. O Ska, de forma geral, ainda é desconhecido do grande público. Mas não porque é estranho ou ruin, simplesmente ainda não virou tema de novela, não virou moda. Mas com o OBMJ estamos conseguindo mostrar para parte desse grande público como se dança e se apaixona por esse ritmo. Quando a pessoa vai a primeira vez num show nosso, quando menos se dá conta, já está dançando pela pista.

 

Você fundou bandas como o Skuba e o Dr. Banana, quando o Ska estava em alta nos anos 90. O que aconteceu com essas bandas?

Pela experiência que tenho, acho que acabaram como todas as bandas acabam: por problemas internos. A expectativa de chegar no topo não foi cumprida ou demorou demais para acontecer. Quando a banda é a fonte principal do dinheiro, isso fica mais complicado.

 

Além do trabalho com a OBMJ você também atua como produtor. Como tem sido essa experiência?

Tem sido ótimo. Produzi o disco solo do André Abujamra, MAFARO. Foi uma experiência incrível trabalhar com ele, pois se aprende muito. Também produzi um cantor americano chamado Zach Ashton, que trabalha com uma linha mais Pop.  Alem disso, me requisitam muito pra mixar discos e fazer a pós-produção, onde me mandam os discos e eu mixo sozinho, dando meu toque.

 

Essas experiências refletem no trabalho autoral..

Com certeza. Tudo influencia tudo. Faz parte de um crescimento musical constante. Acho que essa variedade de estilos é o mais interessante dentro da OBMJ.

quinta 03 junho 2010 18:05


VAI UMA BOLA DE CRISTAL AÍ!??

Blog de edusavanachi :BLOG DO EDU, VAI UMA BOLA DE CRISTAL AÍ!??

Quem nunca se vangloriou de estar no lugar certo na hora certa? E quem também já não lamentou uma chance perdida ou uma decisão mal tomada? Pois é, a vida seria bem mais fácil se cada um de nós tivesse a sua própria bola de cristal, reluzente e sempre pronta a nos mostrar qual caminho tomar. Mas na falta desse utensílio, o jeito é apelar para o bom e velho – e às vezes traiçoeiro – instinto, comemorar as boas tacadas e lamentar os tropeços. É claro que o mundo da música não está livre das armações do acaso e se há muita gente que parece ter nascido com as nádegas viradas para a lua, outros com certeza devem ter jogado muitas pedras na cruz ou – como diz meu amigo Ibiapaba Netto – feito mega hair com os cabelos de Maria.

 

Vamos aos exemplos. Até o início dos anos de 1980, Dado Vila Lobos era um fã de rock, que tinha adoração por bandas, mas mal sabia fazer um acorde em uma guitarra. Mas eis que o destino sorriu para o rapaz e coloca no seu caminho ninguém menos do que Renato Russo. Dado era amigo da galera e Renato, comovido pela vontade do rapaz, logo tratou de arrumar um lugar para ele na banda. Em uma famosa entrevista a MTV, Russo declarou: “Dado era uma pessoa ótima, mas não tocava bem. Então lhe demos a guitarra e dizíamos, faz uns barulhinhos ai”. De barulhinho em barulhinho, Dado se tornou apenas o guitarrista de uma das maiores bandas do rock nacional. Haja trevo de quatro folhas.

 

Outro que não pode reclamar da vida é Joe Jackson, pai do rei do pop. Afinal, não bastasse ter um filho gênio na família, ele ainda teve mais seis filhos talentosos e uma filha popstar, que lhe garantiram uma vida regada a tudo o que há de bom e de melhor. Se isso não for sorte, eu não sei mais o que é.

 

Mas se alguns festejam o carnaval, outros parecem viver numa eterna quarta-feira de cinzas. Afinal, o que você faria se tivesse deixado passar a oportunidade de ter integrado “apenas” a maior banda de rock da história? Esse é o caso do baterista Pete Best, que ganhou a alcunha de “homem mais azarado da história”. O musico deixou os Beatles quando eles estavam a beira do sucesso, por razões controversas e teve que passar o resto da vida assistindo aos rapazes de Liverpool e pensando: “Eu podia estar ali”. Aliás, se o cara é o mais azarado do mundo, nosso querido Ringo Star pode reivindicar o titulo de maior sortudo da Terra, já que a vaga de baterista acabou caindo em seu colo. Fora que ter na frente da banda Paul MacCartney e Jonh Lennon, é covardia. Restou a Best, como prêmio de consolação, ter  ganho cerca de US$ 2 milhões por conta da inclusão de gravações com sua participação na série “Anthology”.

 

O destino também foi implacável com o guitarrista Dave Mustaine, hoje líder da banda Megadeth. Antes de atingir a fama e ganhar caminhões de dinheiro, o Metallica tinha Dave como seu guitarrista. Mas o músico era temperamental e abusava das bebidas. Resultado: Depois de um show, os outros integrantes arrumaram suas malas e o despacharam de ônibus para casa. Ele ainda tentou mostrar que o ato foi um erro, montando o Megadeth, mas acabou conhecido mesmo como o “quase guitarrista do Metallica”.

 

Quem também integra o time dos “fiz cagada” do rock é Paul Diano, primeiro vocalista do Iron Maiden. Depois de comandar os vocais da banda pelos vários anos de luta na cena underground, Diano deixou o grupo poucos anos antes de o Iron se tornar uma das bandas de heavy metal mais cultuadas do mundo.  Hoje ganha a vida fazendo covers de sua antiga banda.

 

Esses são apenas alguns exemplos, mas se você estiver pensando em abandonar aquela sua velha banda de garagem, certifique-se de que ela realmente não tem futuro. Afinal, máquina do tempo é outro utensílio que, por enquanto, não está a nossa disposição.

terça 20 abril 2010 21:18


premio TOP BLog

segunda 19 abril 2010 17:43


E pra vocês eu apresento: (o novo) RAIMUNDOS

Blog de edusavanachi :BLOG DO EDU, E pra vocês eu apresento: (o novo) RAIMUNDOS

 

Ultimamente ando meio saudosista. Com saudades do meu cabelo comprido, da época que tocava com minha banda nos botecos da vida, trocando rock por cachaça. Saudades de um tempo em que era só sintonizar a extinta 89 FM, então “a rádio rock”, para ouvir um maluco com sotaque nordestino, anunciando, aos berros, que foi num Puteiro em João Pessoa que descobriu que a vida é boa. Guitarras furiosas e letras sacanas. Essa era a fórmula dos Raimundos, última grande banda a despontar no cenário brasileiro e que foi o ícone dessa minha fase, digamos, “rockstar”. Do primeiro disco, já se vão 16 anos e se nesse meio tempo meus cabelos deixaram de ser compridos e as noites em cima do palco já não acontecem mais, na história da banda muita coisa também mudou. Da fama, milhares de discos vendidos e shows em grandes festivais, o Raimundos viu Rodolfo, um dos fundadores, vocalista e principal compositor, abandonar a banda para buscar sua salvação numa igreja evangélica. Desde então, o que se seguiu foram discos pífios, perda de identidade e o retorno para a cena underground. Mas foi numa noite gelada de São Paulo que eu, Raimundos e outros milhares de fãs pudemos, por pouco mais de uma hora e meia, esquecer as pancadas da vida, voltar no tempo e matar nossas saudades. Depois de anos de obscuridade, o Raimundos reaparece para uma série de shows, agora, e temporariamente, com Tico Santa Cruz, dos Detonautas, à frente do microfone. A apresentação no HSBC Brasil, no último dia 9 de abril, foi a primeira do novo projeto e já na entrada da casa, era possível notar que o clima de saudosismo era o que reinava no ar (rivalizando com o cheiro das centenas de baseados, claro!). Um clima reforçado pelo guitarrista e agora front man da banda, Digão, que logo que deu as caras no palco, entre gritos alucinados, esbravejou: “Que saudade de vocês, porra!!”

 

 

Da formação original, apenas Digão e Canisso permanecem. Completam a banda, além de Tico Santa Cruz nos vocais, Marquinhos na guitarra e Caio na bateria. E se lá fora a noite é fria, dentro da casa a coisa esquenta. Ancorada por uma avalanche de hits, a apresentação dos “maluco de Brasília” segue em velocidade máxima, num ritmo de deixar muitos marmanjos roqueiros enferrujados quase sem ar. “Baile Funk”, “Nega Jurema”, “Be á Ba”, “Pintando no Kombão”, “Mulher de fases”, “Eu quero Ver o Oco”, paulada atrás de paulada, sem dó nem piedade e com som no último volume.

 

 

Um dos pontos positivos da apresentação é que os álbuns mais recentes Kavookavala e Pt qQ  Coizah, foram solenemente e sabiamente ignorados. Prova de que até a banda reconhece que há um abismo de qualidade entre eles e o restante do material produzido ao longo da carreira.

 

 

No palco, os caras se mostra bem entrosados e descontraídos, curtindo o show tanto quanto os fãs e sem demonstrar sentir o peso das inevitáveis e inúteis comparações com outras épocas áureas. Ninguém na platéia parece estar muito a fim de lamentar ausências, o negócio é curtir o som da banda, que continua forte, rápido e pesado. Aliás, se há quem reclame de uma falta geral de testosterona no atual cenário do rock nacional, embalado por bandas como NX Zero, Fresno, Cine e afins, no Raimundos o hormônio é despejado em litros. As palmas das mãos levantadas, fazendo referencia ao órgão sexual feminino, é uma constante na platéia.

 

 

Tico, que chegou a ser questionado por uma parcela do público “das antigas”, também fez bem o seu papel, mesmo com alguns errinhos ali e acolá. O interessante é que ele, que em alguns momentos chegou a se mostrar fascinado com a animação e devoção da galera, fez questão de respeitar as canções, evitando dar “novas” interpretações as músicas, ao mesmo tempo em que se coloca, de fato, como um convidado, deixando a interação com os fãs a cargo do Digão. No geral, sua presença foi boa e deve melhorar nas próximas performances. Além do que, não dá pra dizer que ele não tenha carisma. Aliás, sempre achei que não ter buscado um novo vocalista foi um erro crucial para a decaída dos Raimundos. Acho até que essa formação “passageira” poderia ser definitiva.

 

 

No final, o show entregou o que prometia, um belo reencontro de uma das melhores bandas de rock pesado do Brasil com uma multidão que se sentia um pouco órfão. A torcida agora é para que a coisa não fique apenas nos shows. Quem sabe, os bons momentos daquela noite inspire um novo disco com uma qualidade digna da banda. Quem disse que os velhos (e bons) tempos não podem voltar!?

 

Ah, já ia me esquecendo. Depois do Raimundos, o Charlie Brow jr também se apresentou.

quinta 15 abril 2010 18:20


Era uma vez alguém chamado Renato Russo

Blog de edusavanachi :BLOG DO EDU, Era uma vez alguém chamado Renato Russo

 

Era final do ano de  1993. Eu tinha pouco mais de treze anos e, em um final de semana qualquer, tinha ido a casa dos meus tios para visitá-los. Logo que cheguei fui ao quarto do meu primo, que nessa época tinha quase vinte anos. Quando entrei me deparei com a televisão ligada. Na tela, um rapaz barbudo, que usava óculos e vestia uma estranha camisa branca, dançava, de forma um tanto quanto esquisita, em meio a um jardim. Achei a cena engraçada e perguntei ao meu primo quem era aquela pitoresca figura dançante. Ele me respondeu: “Cala boca, esquece a dança e ouve a música”. E eu ouvi. Ouvi e pirei. O senhor em questão era o Renato Russo e a musica era Perfeição, do disco "O descobrimento do Brasil". Foi a partir daquele dia que eu descobri a Legião Urbana, maior e mais cultuada banda do rock nacional, que desde então nunca mais saiu da minha vida.

Assim como lembro da primeira vez que ouvi uma musica da Legião, lembro também do dia em que soube da morte de Renato. E lembro de tantos outros episódios da minha vida que teve a sua música como trilha sonora. Aliás, esse era o verdadeiro dom de Renato Russo.

 

Muito mais do que escrever boas letras, ele sabia verdadeiramente compor uma canção. Traduzindo emoções complexas em versos simples, como na música Meninos e Meninas em que ele canta: “Acho que gosto de meninos e meninas”.

 

Renato conseguia enxergar como ninguém as angustias, dúvidas e medos das pessoas e transformar esses sentimentos em canções que nos davam a sensação de serem as trilhas sonoras de nossas vidas. Por isso sempre achei que suas musicas deveriam trazer algum aviso do tipo: “obra de ficção. Qualquer semelhança é mera coincidência”. Afinal, quantas pessoas já tiveram a certeza de que canções como Pais e Filhos, Giz, Quase sem querer, entre tantas outras, foram escritas especialmente para elas.

 

Mas seu maior dom, também era sua maior maldição. Porque Renato praticamente escravizava seus sentimentos e os colocava sem pudor em suas músicas. Cada linha nos fazia mais íntimos do cantor. Talvez por conta dessa sensação de se “despir” a cada verso entoado é que ele odiava se apresentar ao vivo e quando tinha mesmo que faze-lo, tentava se esconder atrás de suas danças quase esquizofrênicas. Como se esconder fosse uma opção para Renato.

 

No fundo, Renato não era apenas um poeta atormentado. Muito menos um rebelde, com ou sem causa. Renato era alguém que acreditava que deveríamos amar uns aos outros como se não houvesse amanhã. Pois tinha certeza que, na verdade, não há.

quinta 01 abril 2010 18:08


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