Por Ibiapaba Netto*
A bela garotinha ao lado, que sem nenhum ressentimento castiga com ânimo a pobre bateria, não era a única empolgada com a barulheira produzida durante a Expomusic 2009. O evento é uma espécie de salão do automóvel para a indústria de instrumentos musicais e todo tipo de equipamento para estúdio, montagem de palcos e afins. Resumindo, um parque de diversão para músicos e semi-músicos como eu. Na verdade, fui acompanhando meu sobrinho de 13 anos, muito mais talentoso e, obviamente, competente do que eu quando de posse de uma guitarra ou violão. Andando pelas ruas da exposição, pude confirmar uma antiga tese, a qual já comentei com o Eduardo, dono deste divertido blog: muito em breve, teremos uma nova e virtuosa geração de roqueiros no Brasil. Explico o porquê.
Nos meus tempos de adolescente, para se conseguir executar uma música com perfeição, era um verdadeiro custo. Era preciso pagar um professor que “tirava” as músicas de ouvido e depois a repassava em suaves prestações. Apenas os mais talentosos, que sempre são a minoria, conseguiam se virar sozinhos. Hoje, com o advento da internet, há vídeo aulas mostrando tudo, em detalhes, como se toca qualquer clássico do rock. O resultado é assustador. Meu sobrinho toca de “cabo a rabo”, alguns clássicos do Iron Maiden, com todos os seus detalhes. Ainda tropeça um pouco nos solos mais virtuosos. Porém, ele tem apenas 13 anos! Um colega de sua escola, apelidado de “From Hell”, tem 16 anos e não mais tropeça, sequer, nos solos mais cabeludos do Van Halen. Para um cara como eu, ou talvez como o Eduardo, seria necessário nascer de novo para chegar em tal estágio.
E não é só no quesito “aprender” que a molecada tem sorte e competência. Perambulando pela feira, via algumas coisas fantásticas. Um pedal para voz cuja missão é “afinar” o cantor em tempo real, sem atraso, sem modificar o timbre de quem canta. E, de quebra, ele ainda multiplica a sua voz fazendo “terças” como se fosse um coral, com até três vozes. No stand da Gibson, um lançamento fantástico: um pedal Zoom, que além dos efeitos tradicionais traz a regulagem de diversos guitarristas já programados. Obviamente, o lançamento trouxe apenas guitarristas que usam a marca da referida guitarra.
Estranho mesmo foi a pouca participação da Fender. A marca esteve presente apenas com alguns importadores e mesmo assim era um custo achar seus modelos. Eu mesmo não vi nenhuma. Deu para perceber também que a tecnologia de um “up” em marcas como Tagima, que usa como garoto-propaganda o guitarrista do Angra, Kiko Loureiro. Ele esteve por lá, em tarde de autógrafos. Meu sobrinho entrou na fila, tirou uma foto, e pegou um autógrafo. Até nisso, o mundo conspira a favor do rock. Nos meus tempos de garoto e aspirante a roqueiro, não havia essa moleza de exposição com aulas ao vivo com os grandes mestres da guitarra! Agora, só falta as rádios brasileiras voltarem a abrir espaço para essa molecada que está vindo a todo vapor com suas guitarras, baixos e baterias. Que a menininha da foto que abre seja uma grande baterista, meu sobrinho um grande guitarrista. E acima de tudo, que eu e o Eduardo (que perdeu essa feira maravilhosa) tenhamos vida longa para contar a história dessa molecada! Que venham os novos Kikos Loureiros.
*Ibiapaba Netto é jornalista e dono do blog Vida de Repórter
Carlos Henrrique
Qui 01 Out 2009 00:29