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Caetano, a Lei Rouanet e o "Bolsa Artista"  escrito em quinta 25 junho 2009 21:23

Caetano Veloso acaba de lançar seu novo disco “Zii e Zie”. Muito falado e festejado, o álbum dará vida a uma extensa turnê do cantor, que promete arrebatar fãs pelos quatro cantos do Brasil. Tudo muito bom, tudo muito lindo, a não ser por um pequeno e inquietante detalhe. Quem irá financiar as apresentações do músico seremos nós, os contribuintes. Isso mesmo, eu, você e todos que pagam seus impostos, fãs ou não do baiano. Isso porque, por meio da Lei Rouanet, o cantor conseguiu captar a bagatela de R$ 2 milhões em dedução de impostos, para a produção da nova turnê. Tudo graças a uma série de distorções e brechas que a Lei Federal de Incentivo a Cultura oferece. O mecanismo, que possibilita dedução de impostos de 60% a 100%, para projetos culturais de empresas e indivíduos, foi criado para “democratizar” a cultura. Mas pelo jeito, essa missão tem ficado apenas na teoria.

 

Caetano, que conseguiu os recursos no intuito de baratear as entradas das apresentações e torna-las mais acessíveis, não foi o primeiro, e nem será o último, artista do “mainstream” brasileiro, a se beneficiar da lei. Nomes como Maria Bethânia e Ivete Sangalo, também já beberam na fonte da Lei Roanet. Talvez um dos casos mais questionáveis é o da cantora Vanessa da Mata, que conseguiu captar nada menos do que R$ 900 mil para a produção de seu DVD ao vivo. O pior, é que muito desses recursos foram disponibilizados com interferência direta do próprio Ministro da Cultura, Juca Ferreira. Trata-se, sem dúvida, de uma espécie de “Bolsa Artistas”.

 

Nada contra Caetano, Ivete, Vanessa ou Bethânia, que, é bom deixar claro, não estão fazendo nada de ilegal. A questão é se é correto artistas famosos e bem sucedidos, utilizarem dinheiro público para promover seus shows e produtos, que logicamente irão gerar lucro comercial? Ainda se fosse algo experimental, como um disco da Ivete contado em Tupi, ou coisa do tipo, que provavelmente seria difícil de conseguir patrocínio, vá lá. Mas estamos falando de nomes consagrados, que vendem milhares de discos e que tem agenda de shows lotada todos os anos. Ou seja, sem muita dificuldade para viabilizar seus projetos. E mais, com todo respeito que eles merecem, qual a relevância sóciocultural de um show da Ivete ou da Vanessa da Mata, a não ser o divertimento que eles oferecem ao universo reservado dos seus fãs?

 

O grande problema é que essas distorções dificultam a amplitude da lei e facilitam a centralização dos recursos, que hoje ficam em sua maior parte no eixo Rio-São Paulo. Para se ter idéia, segundo o Ministério da Cultura, apenas 3% dos proponentes ficam com cerca de 50% do total de recursos distribuídos, que nesse ano devem somar R$ 1,3 bilhão. Dessa forma, em regiões como o norte e nordeste, a Lei Rouanet, que completa 18 anos, simplesmente ainda não chegou.

 

Para não ficar só na música, os critérios da lei são tão dúbios que apresentações como o lucrativo e interessante Cirque du Soleil, cujo o valor de ingresso era de R$ 490, recebeu recursos da Lei de Incentivo a cultura. Já exposições como “Leonardo da Vinc” e “Corpo Humano”, não conseguiram tais recursos. Porque?? Bom, essa é uma ótima pergunta.

 

Essas brechas e critérios imprecisos são as bases das mudanças que estão sendo propostas na lei, que precisa de fato ser revista. Mas a chamada “Nova Rouanet” já encontra um forte lobby de artistas contrário as mudanças. Muitos contrariando seus próprios discursos “políticos”, pois se a prática não é ilegal, é sem dúvida imoral. Vá você, reles mortal, tentar conseguir se enquadrar na Lei Rouanet. Por mais que sue projeto seja bacana e relevante, as dificuldades são grandes e o caminho é tortuoso. A menos, que você seja, é claro, um artista nacionalmente reconhecido, que venda milhões de discos por ano...

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A banda perfeita para sua filha ser fã!!  escrito em terça 26 maio 2009 22:53

 Você que é pai e sempre quis que sua filha adolescente gostasse de rock, mas temia as influências que o gênero poderia ter sobre o seu comportamento, sorria, seus problemas acabaram. Compre já um CD do Jonas Brothers e dê de presente para sua pimpolha. Se por acaso você não faz idéia de quem sejam os três rapazes da foto e nunca tenha ouvido falar no grupo, não se preocupe. Basta procurar qualquer conhecida que tenha entre 12 e 15 anos, que com certeza elas lhe contarão tudo o que se há para saber sobre Joe (o que jura não usar chapinha), Nick e Kevin, os irmãos americanos que formam o mais novo exemplar de “banda jovem sensação do momento”. Ta certo que o som não é propriamente um ROCK, mas hoje em dia, o quê é!? O fato é que eles são tão bonzinhos, mas tão bonzinhos que mal se parecem com estrelas do rock.

 

Os três irmãos, que já chegaram a ser comparados com os Beatles (oh heresia) por conta da histeria que provocam, são praticamente samaritanos. Filhos de um ex-pastor protestante, foram educados em casa, onde ainda moram com os pais, mesmo depois de vender mais de 10 milhões de CDs mundo a fora. Não usam tatuagens e nem falam palavrões. Não bebem, não fumam, e muito menos usam substâncias ilícitas e entorpecentes.  Ao invés dos tradicionais cabelos longos e alvoroçados, eles cultivam cortes alinhados e moderninhos. As tradicionais roupas rasgadas dão lugar a modelitos alinhados, feitos sob medida.

 

Ou seja, integrando um dos milhares “fãs clubes” do trio, a chance de sua filha chegar em casa de cabelo pintado de rosa, cheia de piercings, tatuada e com cigarro em riste, são quase nulas. E não é só isso. Para mostrar que são realmente garotos cheios de boas intenções, os irmãos usam o chamado “anel de pureza”, um tipo de símbolo que indica que eles só irão fazer sexo depois do casamento. Fala a verdade, é ou não é a banda perfeita para sua filha ser fã.

 

Se não fossem as filas gigantescas eu até teria comprado um ingresso para levar minha filha ao badalado show que os irmãos Jonas fizeram dia desses no Brasil. Falando em show vi alguns vídeos dos caras no Youtube. E, que as histéricas fãs não me escutem (ou leiam), mas é humanamente impossível alguém tocar e cantar, fazendo os milhões de malabarismos e piruetas que eles fazem, sem que se ouça uma falha, uma desafinação ou uma ofegada sequer.

 

 Das duas uma, ou eles são muito, mas muito bons. Ou são mais um grupo adepto do famoso “playback”. Eu, honestamente, aposto mais na segunda opção. Mas isso não é nada. Afinal, para uma banda formada em torno de filmes, séries de TVs, fotos para revistas, a música não é nada mais que um mero detalhe.

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Eduardo Costa - Cachaça e viola em terras mineiras  escrito em quarta 20 maio 2009 05:14

Bastam cinco minutos de conversa com o cantor Eduardo Costa para que ele comece a contar o primeiro de seus muitos "causos". A fonte parece inesgotável, e logo as piadas vão aparecendo, uma atrás da outra. O sotaque mineiro dá o tom da entrevista, que parece mais um bate papo de boteco. O lado piadista do cantor é conhecido. Uma fama que só não é maior do que a de cachaceiro, que o acompanha desde o início da carreira. A quem jure que sua mamadeira já era "batizada" com a tradicional bebida. Coisa que ele nega, porém não esconde ser apreciador de uma "branquinha". Tanto que transformou a imagem em marca registrada e até lançou uma cachaça com seu nome. Esse, aliás, era o motivo da nossa visita.

Encontramos o cantor em sua confortável casa, localizada em um bairro nobre de Belo Horizonte, durante um ensolarado fim de tarde. Eu e o intrépido fotógrafo Marcos Corazza tínhamos a missão de entrevistar o músico sobre o lançamento da linha de bebidas que leva o seu nome.

Depois de atravessarmos uma garagem cheia de “brinquedos” importados, nos aconchegamos em uma ampla varanda de frente para piscina, onde uma parede guardava uma coleção de mais de 200 rótulos de cachaças.  Era li que o cantor, que graças ao seu recém comprado jatinho particular havia conseguido voltar de um show no Piauí a tempo para a nossa entrevista, nos aguardava.

Confesso que até aquele momento eu pouco tinha ouvido falar de Eduardo Costa, por isso fiquei surpreso com a sua popularidade. Já na entrada da cidade, um imenso outdoor estampava sua foto e anunciava mais um show, são quase duzentos por ano. Ao contrário das duplas “modernas”, o cantor faz um som mais tradicional, na linha de gente como Leonardo, Zezé de Camargo e Luciano etc.. OK, não é o meu estilo de música preferido, mas a julgar pela melodia de uma de suas músicas, que ficou uma semana martelando em minha cabeça, posso dizer que ele faz bem o que se propõe. A descontração era tão grande, que o mais dificil era manter a linha da matéria. Como não poderia ser diferente, o papo gira em torno da cachaça, um elemento tão presente na carreira do cantor que virou tema até do seu principal sucesso, a música “Cachaceiro”,.  A letra é auto explicativa: "Dizem que sou cachaceiro / cachaceiro eu não sou / cachaceiro é quem fabrica pinga / Eu sou é consumidor”.

Entre perguntas sérias, poses para fotos, várias piadas e, claro, algumas doses,  bati um papo pra lá de descontraído com o cantor. A conversa gerou a primeira entrevista “exclusiva” desse simpático blog e que você confere a seguir....

 

Blog do Edu: Afinal, de onde veio essa sua  fama de cachaceiro?

Eduardo Costa: Logo no inicio da minha carreira. Um dia estava fazendo um show meio “caído” e um dos promotores me ofereceu uma dose de cachaça. Provei e levei a garrafa para o palco. No intervalo de uma música para outra eu dava uns goles. Desde então, todo show que eu fazia alguém me dava uma cachaça, que eu levava para o palco e isso foi virando uma marca registrada.

 

Blog: Mas antes você não bebia?

Pois é. Pior que antes eu não bebia nada. Mas mesmo assim o pessoal já falava, “lá vem o Eduardo Costa, o cachaceiro” (risos). Por isso foi bom começar. Já que eu  tinha a fama, o negócio foi abraçar o capeta de vez (risos).

 

Blog: Mas  porque que falavam uma coisa dessas?

Acho que por eu ser um pouco brincalhão. Gosto de contar piadas, de fazer amizades. Mas eu sou assim bebendo, sem beber. Dou risada até quando estou de mal humor..(risos) Além disso, a cachaça facilita muito minha vida...

 

Blog: Como assim?

Sabe como é, essa vida de shows. Sempre tem uma balada, uma festinha, lugares escuros. Nem sempre dá para ver como é o “alvo”. Com uns goles tudo fica lindo e se o “trem” for feio mesmo, você tem a desculpa da cachaça (risos). Mas vamos parar de falar nisso, senão vão achar que sou cachaceiro..

 

Blog: E não é?

Não. Cacheceiro é quem fabrica pinga. Eu sou é consumidor (risos). Se bem que, agora com a cachaça Eduardo Costa eu virei cachaceiro mesmo, não tem jeito (risos).

 

Blog: Você faz um estilo um pouco mais tradicional, mais parecido com o sertanejo feito na década  de 90. O que você acha do chamado sertanejo universitário?

Acho que isso é um troço que não existe. Foi inventado. Você pega dois moleques, passa gel no cabelo, ensina uma música romântica e sai por ai dizendo que é sertanejo universitário. De certo, acham que é xique (risos)

 

Blog: A internet ajudou bastante sua carreira não?

Demais. A internet é algo maravilhoso. Com ela promovo meus shows, minhas músicas, coloco os fãs em contatos...Conheço mais amigas (risos)

 

Blog: Você acha que a  música gratuita na net ajuda ou atrapalha os novos artistas?

Acho que ajuda, porque faz você ser comentado, facilita o acesso e barateia o custo de fazer música. Antes você tinha que gravar mil cópias de um CD com cinco faixas e sair vendendo nos shows, rezando para ele cair na mão de alguma gravadora. Hoje o cara entra no MySpace e vê uma banda com mais de 1 milhão de dowloads e já sabe que tem futuro. Nossa agora eu falei bonito hein..(risos)

 

Nesse momento já começa a anoitecer e meu amigo Corazza faz a última foto e finaliza a sessão, para alivio de Eduardo Costa. “Até que enfim. Se antes já estava cansado, agora então, com esse tanto de cachaça que tomei, vou dormir até o próximo show (risos)”. Nos despedimos, mas antes de irmos somos “obrigados” a atender o último pedido do cantor: “Esperem um pouquinho que eu vou ali buscar uma garrafa para gente beber a saideira”....

 

 

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Uma orquestra virtual, de verdade  escrito em sexta 17 abril 2009 22:18

Lembram daquela história da “Orquestra Sinfônica do Youtube”!? O projeto realizado pelo Youtube em parceria com o maestro Tan Dun, o “bam bam bam” da música erudita. (Não lembra!? O povo esquecido, ainda bem que inventaram o hiperlink. É só clicar aqui).

E não é que a coisa deu certo!! Mais de 3 mil videos enviados, gente de 70 países diferentes. Advogados, estudantes, vagabundos e até músicos profissionais participaram. O resultado não podia ser outro: Ficou sensacional. Veja e comprove

 

A execução ficou muito bacana e a edição  fantástica. Mas, sem dúvida, o grande barato é a  mescla de gente presente no projeto. Cada figura!! O meu preferido é o maluco que toca trompete com a mascara do soldado do Star Wars!! O Brasil foi representado por duas garotas. A violoncelista Larissa Mattos e uma violinista que atende pela alcunha de 60K4E (!?)

 

Ontem, 90 felizardos ( e talentosos) “músicos” se apresentaram no Carnigie Hall, em Nova York. Uma apresentação que uniu o mundo fisico e virtual. Se a propostas era popularizar a música clássica, deu certo. Mais de 15 milhões de pessoas já assitiram aos videos relacionados.

 

Eu recomendo  perder uns minutinhos para assistir um pouco da apresentação!!!

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Kurt e seus demônios incuráveis  escrito em segunda 06 abril 2009 20:30

 

Há 15 anos, mais precisamente em 05 de abril de 1994, Kurt Cobain deu sua maior contribuição para a história do rock: ele se matou. Afinal, ao apertar o gatilho daquela arma, Kurt deixava de ser um astro de rock clichê para se tornar um mito. Sua morte colocou o Nirvana definitivamente no hall das mais importantes bandas de todos os tempos.

 

 

Antes de falar do Kurt, quero dizer que acho o Nirvana uma das 10 melhores bandas de todos os tempos. E o mais legal disso é que no caso deles, eu tive a oportunidade de ver a história sendo construída. Faço parte de uma geração que pôde acompanhar a banda em tempo real. Que corria para compra os discos logo que eram lançados. Com o Nirvana não precisei me contentar em somente ler a respeito e imaginar o que eles representaram em suas épocas, como acontece no caso de bandas como Led Zeppelin, Beatles, Queen entre outras. Sim, para mim o Nirvana está no patamar de importância desses monstros acima.

 

 

Uma das melhores lembranças que tenho da época que eu tocava em uma banda, era de justamente  tocar Smells Like Teen Spirit ao vivo. E olha que nem tocávamos assim bem direitinho. Mas era o suficiente para que a galera pirasse assim que ouviam os primeiros quatro matadores acordes da música.

 

 

Mas (E há sempre um “mas”.....), embora reconheça toda a importância do Kurt, com seu talento, carisma, sensibilidade e irreverência. Mesmo com toda a sua rebeldia simbólica, inspiradora e quase sem causa, nunca achei que o Kurt fosse o único e nem o principal responsável pelo o que se tornou o Nirvana. E essa opinião vem de um simples fato: eu simplesmente não consigo enxerga-lo como um gênio.

 

 

Que fique claro a todos os fãs, que por ventura já estejam estudando uma forma de tirar esse humilde blog do ar, não estou diminuindo a figura do Kurt. Óbvio que ele foi uma persona única e essencial para o Nirvana e para o rock. O que quero dizer é que essa condição não pertence apenas a ele. Ela deveria ser dividida entre todos os integrantes. Aliás, com um em especial acho que essa “contribuição” se equivale. Falo, claro, do ex-batera Dave Grhol, talvez o maior responsável por Kurt ter se tornado o artista que foi. Talvez se Kurt nunca tivesse conhecido Dave, ele fosse apenas mais um roqueiro que gostava de se drogar e quebrar guitarras. Para mim, o Dave está para o Nirvana como o John Bonham estava para o Led Zepellin.

 

 

Dave é um musico talentoso, multi-instrumentista. Sua musicalidade ajudou o Nirvana a superar suas deficiências técnicas e tornou possível que eles conseguissem transformar poucas notas e letras atormentadas, em verdadeiros hinos.  Se tivéssemos que dividir a responsabilidade do sucesso do Nirvana entre seus integrantes, seria algo mais ou menos assim: 45% para o Kurt,  45% para o Dave Grhol e o restante fica para o baixista...como é mesmo o nome dele!?? Espera, deixa eu “dar um Google”...Ahh!! Krist Novoselic..O cara certo, na banda certa.

 

 

Não estou dizendo que Dave Grhol é mais importante que Kurt Cobain. (Sem Kurt, Dave teria sido apenas um integrante de uma banda bacana). O que estou dizendo é que os dois se completaram. Mas que o endeusamento em torno da figura do Kurt acabou diminuindo a importância de  Dave na história e que esse era um aspecto que contribuía para a depressão aguda de Kurt. O fato é que o Nirvana era muito maior que o Kurt.

 

O tratamento de celebridade, de “Deus do Rock” que Kurt recebia era o que o matava pouco a pouco. Ele nunca foi um “frontman”, não cantava e nem tocava com maestria. Tinha dificuldades em se relacionar com os fãs. Kurt nunca soube lidar com a fama. isso acontecia porque ele se achava um artista limitado, que não era merecedor da idolatria que recebia e isso o fazia se sentir culpado. Ou seja, ele achava que estava enganando seus fãs.

 

 

Em um trecho de sua carta de suicídio ele escreve: “Quando estamos nos bastidores e as luzes se apagam e o ruído enlouquecido da multidão começa, isto não me afeta da maneira como afetava o Freddie Mercury, que costumava amar e se deliciar com o amor e admiração da platéia. O fato é que não posso enganar vocês, nenhum de vocês. Simplesmente não seria justo para vocês e para mim”. 

 

Resumindo, acho que Kurt se matou porque sabia que não conseguiria dar o que esperavam dele. Para mim, pensar no Kurt hoje, vivo, com o Nirvana, mas sem Dave Grhol e Kris Novoselic, seria imaginar uma espécie de Axel Rose do grunge, lutando para fazer o Nirvana não soar como um cover de si mesmo.

 

 

No final das contas, se não recebesse tanta pressão e não fosse endeusado, Kurt talvez ainda estivesse vivo. Gritando, quebrando suas guitarras e tornando o rock muito mais divertido. Em meio a onda Emo que vivemos, seu modo debochado e sua raiva desmedida ( e, principalmente,  a forma que expressava isso nas músicas) fazem muita falta. Mas como ele preferiu dizer: “É melhor queimar de uma vez do que ir queimando aos poucos”.

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